PROCISSAO DA RESSURREIÇAO Era costume realizá-
la entre as cinco e as seis horas do Domingo da Ressurreição, lo-
go após a missa festiva da madrugada, comemorativa da ressur
reição do Senhor.
Pequena imagem de Jesus Ressuscitado era conduzida em
andor, pelos fiéis, entoando cânticos festivos, seguindo-se o iti-
nerário das demais procissões.
A nota característica era a alegria visível no semblante de
todos, contrastando com o ar grave e sombrio das outras procis-
sões quaresmais.
AS Igrejas, novamente engalanadas como nos dias mais so
lenes; recompostos os altares, antes desnudados; substituida a
Cor violácea pela branca, nos paramentos eclesiásticos, canticos
e preces de louvor e gratidão, tudo externava o jübilo cristäo do
povo diante de Jesus, o Salvador, vencedor da morte e do pecado.
Ao recolher-se a procissão, era dada a bênção do Santis-
simo Sacramento e saíam os fiéis, exultantes, a desejarem, uns
aos outros, uma Feliz Páscoa.
FESTA DE SANTO ANTA0 Ao descrever o cenário em
que se desenrolou o combate de 3 de Agosto de 1645, no monte
das Tabocas, conta frei Manuel Calado que, à capelinha de San
to Antao, situada "entre aquelas ásperas montanhas e inhabita-
dos campos", "os moradores de Pernambuco iam, todos os anos,
aos dezessete de janeiro, com os moradores daqueles matos cir
cunvizinhos, a fazer uma festa com missa e pregação", "para que
Ihes defendesse (o santo) seus gados e cavalgaduras dos tigres,
onças suçuaranas, e as roçarias de farinha e legumes, dos por-
cos do mato, os quais, aonde chegam, deixam tudo destrui-
do." (1)
Vê-se, da informação, que a festa de Santo Antão, antiquls-
sima, era promovida não apenas pelos moradores da localidade,
mas de Pernambuco, atraindo, naturalmente, devotos de toda a
zona da mata pernambucana.
Essa tradição foi ciosamente mantida através dos anos,
mas, com a evolução dos costumes e progressiva emancipação
das pequenas comunidades em formação, ficou circunscrita à
Freguesia de Santo Antão.
De geração a geração, na medida em que crescia o povo
em número, em posses e em conheciment0s, foi a festa do Pa-
droeiro se modificando de modo a, no século XIX, ter passado da
(1)-Frei Manuel Calado- 0 Valeroso Lucideno, v. I, p. 17
- Recife, 1942.