Igreja do livramento construída no final do Século XVIII

Construída no final do Século XVIII, pelo Capitão-mor Manuel Teixeira de Abreu Peixoto, em terras doadas porTimoteo Manuel de Jesus.
Igreja do livramento 
adição nossa
arcevo de 

                                                  Josebias Bandeira de Oliveira


 

A freguesia de santo antão no século XIX. irmandade-devocão e procissões. P193

                                               XXIII

A FREGUESIA DE SANTO ANTÃO N0 SÉCULO XIX
      IRMANDADES DEVOÇÖES E PROCISSÕES


       A FREGUESIA DE SANTO ANTÃO NO SECULO XIX-No
inicio do quinto decenio do seculo XIX, limitava-se a freguesia
de Santo Antao, Ja consideravelmente reduzida no seu território:
ao Norte, com a de Nossa Senhora da Glória do Goitá, criada
em 1837; a Leste, com as de Santo Amaro de Jaboatão e a de
Santo Antonio do Cabo; ao Sul, com esta última e a de Nossa
Senhora da Apresentaçao, da Escada; a Oeste, com a de São Jo
sé dos Bezerros até 1857, quando foi criada a de Santa Ana, de
Gravatá.
      Segundo um Relatório publicado no Diario de Pernambuco
de 1.° de maio de 1851 pelo vigário de Santo Antão, padre João
Evangelista Leal Periquito, tinha, entāão, a Freguesia os seguintes
templos:

         1) Igreja Matriz, sob a invocação de Santo Antāo, com
             boas imagens, mas em estado imperfeito e ruino-
             so, mal paramentada.
        2) Igreja sob a invocação de N. S. do Rosário dos
            homens pretos. Em bom estado, mal paramenta-
            da.
       3) 1greja sob a invocação de N. S. do Livramento
           dos homens pardos, em andamento de obras, mal
           paramentada.
       4)Capela de Santa Ana, no engenho Ronda. Em con-
           sertos e destituida de paramentos.
       5) Capela de São Pedro, no engenho Arandu. Em es
           tado ruinoso e mal paramentada
       6) Capela de N. S. da Conceição, no engenho Con-
           ceiçao, em bom estado, mal paramentada.
                                           
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            7) Capela de N. S. da Luz, no engenho Queimadae
                    em bom estado e sofrivelmente paramentada.
            8) Capela de N. S. do ROsario, n0 engenho Cacim-
                 bas, muito arruinada, sem imagens e paramentos
            9) Capela de Santa Ana, no engenno Santa Ana, em
                 ruinas e sem paramentos
           10)Capela de N. S. do Rosário, no sitio Caiçara, em
                bom estado e com paramentos ordinários.

      Era comum, no século pássado,--quando o sacerdócio
católico era abraçado nem sempre por vocaçao religiosa, mas
por conveniência de familias que, desejando ter um filho padre
escolhiam, na prole, o que Ihes parecia maiS Indicado,- encon-
trar sacerdotes sem munus paroquial, contratados por senhores
de engenhos como capelaes e mestres-escolas.
      Não era raro aparecer, nos jornais da capital, anúncios de
sacerdotes como o estampado em "O Liberal Pernambucano" de
19 de novembro de 1855: "O padre Tomas de santa Mariana
Jesus MagaIhães se oferece para ser capela0 para aquele senhor
de engenho que quiser utilizar as missas, e mais atos próprios
do ministério sacerdotal, e para ensinar primeiras letras, doutri-
na cristā, aritmética, gramática da lingua portuguesa, gramática
da lingua latina, música e frances. O senhor de engenho que
quiser pode procurar o anunciante na casa de sua residência,
na Rua da Concórdia, das 9 horas da manha em diante, de qual-
quer dia."

          Outra figura encontradiça por essa época é a do padre-
agricultor que, tendo adquirido pequena propriedade, passava a
dividir o seu tempo entre o trabalho rural e o ministério ecle
siástico, este muitas vezes reduzido a simples celebração da
missa, nos domingos e dias santos.
       Eis por que, no Relatório do padre João Evangelista sobre
sacerdotes residentes na freguesia de Santo Antão em 1851, apa-
recem os seguintes:
       1) José Camelo de Sá Cavalcanti, de 78 anos, mora-
           dor na cidade, vigário colado da freguesia, mas
           isento da administração paroquial desde 18 de de-
           zembro de 1850, pela sua avançada idade.
      2) João Evangelista Leal Periquito, de 53 anos, VIga-
           rio interino da freguesia.
      3) Joaquim dos Prazeres Brayner Lins, de 50 anos,
          coadjutor da freguesia.
     4) Serafim Cipriano Veríssimo dos Anjos, de 29 anos,
         residente na cidade.
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    5) Francisco Antonio Pereira Bastos, de 51 mo-
         rador na cidade, Capelão do engenho Conceição.
    6) Manuel Teotönio Pereira da Costa, de 32 anos, mo-
        rador na cidade, Capelão de Duarte Dias.
    7) Manuel da Imaculada Conceição, de 66 anos, por
        tugues, morador em São João Novo e Capelão do
        dito engenho, religioso franciscano secularizado.
    8) João Herculano do Rego, de 35 anos, vitoriense, re-
        sidente no engenho Pirapama e Capelão dos en-
        genhos Aranduzinho e Primavera.
    9) Manuel Correia, de 40 anos, português, Capelão do
        engenho Cachoeirinha, nele residente.
   10)João Martins Cardoso, de 35 anos, morador no en-
         genho Pagão e Capelão desse engenho.
   11) Herculano José Gomes Pacheco, morador no en
          genho Oiteirão e Capelão do mesmo e de Tapera.
   12) Luis de Araujo Barbosa, de 50 anos, Capelão do
          engenho Queimadas e nele residente.
    13) Antonio Domingos de Vasconcelos Aragão, de 29
          anos, Capelão dos engenhos Agua Comprida e Serra.
    14) Frei José de São Domingos Silva, de 25 anos, reli-
          gioso franciscano, morador no engenho Jenipapo
          e dele Capelão.

Nos engenhos e propriedades onde não havia Capela, os
atos do culto eram celebrados em Oratórios privadoS, devida-
mente autorizados ou licenciados pelo bispo diocesan0.
          IRMANDADES Associações de fieis, constituídas como
corpo orgânico, possuíam, em geral, as Irmandades privilégios
assegurados pelo Direito canönico e, algumas vezes, concedidos
pela Santa Sé.
        No regime monárquico, eram as Irmandades e Confrarias
sociedades ao mesmo tempo religiosas e civis, Subordinadas aos
bipos na parte espiritual, e ao Governo, quanto a administração
Os seus patrimônios e bens temporais.
       OS direitos e deveres dos "Irmāos" eram estabelecidos no
ropromisso", estatuto por eles organizados, mas que devia
receber a aprovação da lgreja e do Estado.
       Sem esse "Compromisso", ou, quando possuindo-o, deixa-
Cumpri-lo, eram as Irmandades declaradas "irregulares"
anpenas que iam da suspensão aà extinçao.
      As  primeiras Irmandades e Confrarias religiosas foram fun-
ram fundda no Brasil, pelos missionários das diferentes Ordens e ti-
nham como  principal objetivo fomentar a piedade, promover devoção

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voções a determinados santos, seus padroeiros, e sufrágios pe-
las almas dos sócios falecidos; manter o culto e a disciplina, pe-
la observância dos Mandamentos e frequênca aos Sacramentos

            O preconceito racista, arraigado na sOciedade nascente,
quando ainda se não processara o amalgama dos elementos étni-
cos formadores do povo brasileiro, separou OS cristaos, mesmo
na organização da comunidade paroquial, em grupos diversos.
           Assim, de modo geral, formavam os brancos as Irmanda
des do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, das veneráveis Al
mas do Purgatório, do Bom Jesus dos Passos e em algumas ou-
tras dedicadas à Virgem Maria e a determinados santos; congre-
gavam-se os pretos nas Irmandades de N. S. do Rosário e de
São Benedito; os pardos, e outros mestiços, na de N. S. do Li-
vramento.
          Pouco a pouco, sobretudo após a abolição da escravidão
e a queda da monarquia, essa discriminação foi desaparecendo,
na medida em que se foi acentuando a fraternidade brasileira.
                                  * * *
         Existiam, na Freguesia de Santo Antão, em meados do sé
culo passado, quatro Irmandades: a do Santíssimo Sacramento
e a das Almas, na Matriz de Santo Antão; a de Nossa Senhora
do Rosário dos Homens Pretos, na lgreja do Rosário, e a de Nos-
sa Senhora do Livramento dos Homens Pardos, na Cape la de
N. S. do Livramento, todas bem antigas.
    IRMANDADE DO SANTISSIMO SACRAMENTO Tinha co-
mo principal finalidade promover e render culto ao Santíssimo
Sacramento da Eucaristia e, por isso mesmo, era considerada co-
mo a de maior importância e nobreza e encarregada da admi-
nistração dos bens e alfaias da Matriz de Santo Antão e do pró-
prio templo.
           Obrigava-se a comparecer incorporada a todos os atos e
festas da paróquia, formando a Guarda de Honra do Santíssimo

Sacramento, quando era conduzido, em Viático, aos enfermos,
pelo sacerdote, sob a umbela, precedido de acólitos e da Irman-
dade, de cruz alçada e cirios acesos, indo um dos "irmãos" de
toalha branca a tiracolo, bada lando uma sineta, à frente, anun
ciando a passagem do Santiíssimo, pelo povo devotamente cha-
mado de Nosso Pai.
         Repicavam os sinos da Matriz à saída e à entrada do Viá
tico, paravam os transeuntes, descobrindo as cabeças e curvan
do-se respeitosamente; abriam-se as janelas e varandas das re
sidências, ornadas de vistosas toalhas e de jarros com flores e
cirios. 
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          o último "Compromisso da Irmandade do Santíssimo foi
provado pe la Lei provincial n.262 de 1 de julho de 1850
       Usava opas vermelhas sobre roupa preta e conduzia
brandoés, quando, incorporada, assistia ou acompanhava os atos
religiosos.
          Foi por iniciativa e trabalho seus que quando Tesoureiro
o farmaceutico Manuel Maria de Holanda Cavalcante,se promoveu
a demolição da antiga Matriz e a construção da atual, de  
1873 a 1880, sob a direçao dos frades capuchinhos da 1greja de
N. S. da Penha, do Recife.

        Grave crise administrativa surgida então teve como conse
quencia  a lenta extnção de tão bela e nobre instituição,

     VENERÁVEL IRMANDADE DAS ALMAS- Tendo como prin-
cipal obrigaçao surragar as almas do Purgatório e, de modo es-
pecial, as dos "irmaos talecidos, mantinha essa Irmandade al-
tar próprio, o primeiro do lado esquerdo da Matriz de Santo An-
tão, no qual se veneravam as imagens de São Miguel, seu padro-
eiro, e do Bom Jesus dos Passos.
             Seu último "Compromisso fora aprovado, na parte reli
giosa, em 20 de março de 1854, e na civel, em 24 de setembro
1856.
               Costumava mandar celebrar missa pelas almas, todas as
segundas-feiras, e promovia, todos os anos, a celebração dos atos
quaresmais.
          Usava opas verdes e conduzia brandões, nos atos do culto.
          Nas procissoes, era a Irmandade puxada ou guiada por um
grande e pesado estandarte rôxo, chamado "Guião", encimado
pelas iniciais S. P. Q. R. da inscrição latina Senatus Populus
Que Romanus (o Senado e o Povo Romano), reminiscência das
antigas ordens de cavalaria dos tempos medievais.

              Antigamente mantinha a Irmandade cinco nichos, distri-
buidos pela cidade, onde se guardavam quadros com pinturas
representativas de cenas da Paixão de Cristo, os quais eram aber-
tos apenas na tarde da procissão dos Passos. Diante deles, pa-
rava o andor do Bom Jesus, entoando os fieis hinos e recitando
preces. No que se localizava à Rua Imperial, junto ao prédio n.
101, realizava-se o "encontro" do andor da Virgem da Soledade
com o do Bom Jesus, pronunciando um sacerdote um sermão
a lusivo à cena

          Fertencem à Irmandade as chamadas "Caixas das Almas'",
cofres de recolher espórtulas para a missa das almas, encerra-
em peanhas construidas de alvenaria e encimadas por uma
na cruz, colocadas à margem de ruas e estradas

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             Existem ainda essas Caixas nas ruas Henrique Dias, Ma-
jor Lins, Agamenon Magalhães, José Augusto, Joaquim Nabuco
e dos Maués, esta ultima na estrada para Caiçara.
            Era costume sair, nas segundas-feiras, um procurador ou
esmoleiro da Irmandade, de opa, pedindo, de porta em porta, um
óbulo para o azeite do Bom Jesus, e nas sextas-feiras, para a
missa das almas.
          IRMANDADE DE N. S. DO LIVRAMENTO Ereta na Ca-
pela dessa invocação, compunha-se de mestiços e possufía um
pequeno patrimönio em terras, que foi vendido em 1921.
            Usava opas de cor creme e sobre as mesmas, murça azul.
Mantinha o culto à Virgem do Livramento, sua padroeira, na Ca-
pela onde estava sediada.
           Seu último "Compromisso" foi aprovada pela Lei provin-
cial n.° 392, de 1 de junho de 1856.
Dissolvida em 1887, pelo bispo diocesano, por não cumprir
seus Estatutos, não deixou qualquer vestigio ou lembrança.
     IRMANDADE DE N. S. DO ROSARIO DOS HOMENS PRE-
TOS-Já existia em 1755, quando o Capitão-mor Antonio Jacob
Viçoso e sua mulher d. Manuela Torres Galindo Ihe doaram uma
sorte de terras, em que se achava encravada a Vila, para seu
patrimônio e da Igreja de N. S. do Rosário, com a finalidade de
manter dita Igreja aberta ao culto e celebrar a festa da Virgem
do Rosário.
        Seu último Compromisso é datado de 1853 e foi aprovado,
na parte religiosa, em 29 de março de 1859, pelo bispo diocesano
Dom João da Purificação Marques Perdigão.
         
          Por ele, obrigava-se a Irmandade a: 1.) realizar anualmen-
te a festa de sua padroeira; 2.°) manter um Capelão que devia
celebrar missa na Capela do Rosário, sendo nos domingos e dias
santificados na intenção dos doadores do patrimônio, e nos sá-
bados, pelos "Irmãos" vivos e defuntos; 3.) acompanhar os en-
terros dos ditos Irmāos e dar-lhes sepultura benta.
             Usava a Irmandade de N. S. do Rosário opas brancas,
com murça ou gola de cor marron.

       DEVOÇOES- Aglomerado de rurícolas semi-dispersos em
plena zona da mata-centro, sem meios de comunicação com a
Capital, a povoação de Santo Antão não teve, de certo, no inlcio
de sua formação, assistência religiosa regular e permanente.
            Nos domingos e dias santificados, talvez mesmo em dias
Comuns, os mais devotos se reunissem na capela de Santo Antad
para rezar o terço e fazer novenas e preces.
Vez por outra, vinha algum sacerdote da paróquia menos
distante,- da Luz, de São Lourenço ou de Santo Amaro, (Ja

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boatão)- celebrar missa, batizar, confessar e abonçoar casa
mentos.
          Deve ter crescido, assim, a população, apenas conservan
do os rudimentos puros e simples da fé cristă hauridos de seus
pais, suficientes para manté-la íntegra e constante.
          A criação da Freguesia (ou do Curato), consegüência na
tural do crescimento demográfico e dos apelos da pequena Co
munidade, modificou sensivelmente a situação dos antonenses,
ensejando-lhes a direção espiritual de um pastor que passou a
cuidar da formação religiosa, pregando e ensinando, e ministran-
do os meios de santificaçãoe salvaçăão.
          As devoções coletivas eram as arraigadas no seio do cato-
licismo portuguės: a de Santo Antão, o padroeiro, Cujo patrocl-
nio era invocado contra as feras e animais daninhos da regláo;
a de São Sebastião, protetor da saúde, cuja imagem era condu-
zida em procissões de penitência por ocasião das epidemias gue
periodicamente grassavam no vale do Tapacurá; a de Santa Lu-
zia, cujo valimento era invocado nas doenças de olhos; a da Vir-
gem Maria, venerada sob as invocações da Conceição, do Rosá-
rio, da Luz, do Amparo, da Soledade, da Apresentação, do Bom
Parto, do Livramento, da Assunção, etc.; a do próprio Cristo Sal-
vador e Nosso Senhor, mais lembrado na comemoração de sua
Paixão, Morte e Ressurreição e do seu nascimento e circuncisão,
na Semana Santa, pelo Natal e na entrada do Ano Novo.
        As festas propriamente religiosas cingiam-se a duas: a de

Santo Antão, a 17 de janeiro, e a de Nossa Senhora do Rosário,
no 3.° domingo de outubro. Só mais tarde se começou a celebrar
regularmente a de N. S. do Livramento.
Nas vésperas dos dias consagrados a Santo Antonio, São
João e São Pedro, ao Natal e Ano Novo, celebravam-se comemo
rações mais festivas e populares, folguedos publicos, que festas
litúrgicas.
              Era o catolicismo tradicional, sentimental, exterior, alimen-
tadomantido por crenças e crendices que se vinham transmi-
tindo de geração a geraçao, conservando, porém, noções das ver
dades e dos preceitos fundamentais da fé cristā, muitas vezes
deturpados pela ignorancia religiosa e pelo influxo de supersti
ções africanas e aborigenes, hoje ainda tão atuantes no sincre-
tismo religioso brasileiro.
          PROCISSÖES Era através das procissões que o culto
assumia maior expressão e movimento em sua exteriorização, so
bretudo na Semana Santa. Destacamos as principais:
            PROCISSA0 DO ENCERRO Assim chamada porque a
imagem do Bom Jesus dos Passos era encerrada ou encoberta

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por cortinas, sobre o andor, e assim conduzida, na noite anterior
ao dia da Procissão dos Passos, da Matriz de Santo Antão para
a lgreja de N. S. do Livramento, pelas Irmandades paramenta-
das, enfileiradas em duas alas, cada uma de cruz alçada levando
lanternas e cirios acesos, acompanhada da multidão silenciosa
dos fieis contritos.

         Chamavam-na também de procissão da Fuga ou da Fugi
da, relacionando o ato com o retiro de Jesus, acompanhado dos
Apóstolos, para o Monte das Oliveiras, onde fora preso.

         PROCISSÃO DOS PASSOS A mais comovente e impres
sionante para os fiéis, promovida na tarde da sexta-feira anterior
à Semana Santa.
         Era como uma Via-Sacra pública, reproduzindo os "pas
sos" de Jesus Cristo no itinerário do Calvário.
         Havia, entre a Matriz de Santo Antão e a lgreja de N. S.
do Livramento, sete estações, ou "passos", onde se encontravam,
ornados de flores e cercados de velas acesas, grandes quadros
Ou painėis reproduzindo cenas da Paixão de Cristo na caminha-
da dolorosa para o Gólgota, cinco dos quais se achavam em "nl-
chos" pertencentes à Irmandade das Almas, espécies de santua-
rios enormes, encaixados na parede externa de certos prédios,
cujas portas se abriam para fora. O primeiro "passo" era coloca-
do numa das portas externas, laterais, da fachada da Matriz de
Santo Antão; os intermediários estavam localizados em "nichos"
situados na antiga Rua da Paz, (hoje Rui Barbosa), entre a casa
de n.° 62 e o terreno contiguo, a esquerda, pertencente à casa
de n. 76; outro, na antiga Rua do Barateiro, (hoje Vidal de Ne-
greiros), no local onde se encontra a casa n.° 80; outro na Rua
do Meio, ou Imperial, onde se acha a casa n.° 67; outro, na antiga
Rua do Teatro, (hoje Barão da Escada), no oitão da casa atualmen-
te n.° 47, cuja frente dá para a Rua Dr. José de Barros; outro, ain-
da na Rua Imperial, onde se encontra hoje a casa n.° 153; o últi-
mo passo, sobre uma das portas laterais da fachada da lgreja do
Livramento.

             A partir do meio dia, começavam os sinos das três igre-
jas da Vila a dobrar, de hora em hora, como que predispondo o
povo para a piedosa romaria.
            Concentravam-se os homens, trajando roupa preta ou es-
cura, com as Irmandades das Almas e do Santíssimo, na lgreja
do Livramento, enquanto as mulheres, e as Irmandades de N. S.
do Rosario e de N. S. do Livramento, se agrupavam na Matriz de
Santo Antão.
         As 15 horas, fechava o comércio e, nas janelas e varandas
das casas situadas no percurso da procissão, se colocavam toa

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Igreja do lIvramento em Vitoria de santo antão-PE

igreja do livramento em 23 de novembro de 1907
adição nossa

 

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          Ihas, imagens do Crucificado, jarros com flores e castiçais con velas.

             AS 16 horas, saia a Procissão conduzindo o andor do Bom
agora descoberto, acompanhado das Irmandades com to-
Jesus brandões acesos e da Banda Musical, tocando em funeral,
auase em surdina. Saindo da lgreja, era o andor conduzido
primeiro "passo", diante do qual ficava alguns minutos,che
Lanto um coro de senhoras entoava lamentoso canto remerando
 a cena da Paixao lembrada ou estampada no quadro,
seguindo-se ligeira prece, pledosamente acompanhada por todos
os circunstantes.

                 Dobravam os sinos e o préstito caminhava, lentamente,
narando em seguiIda, diante do "passo" da Rua da Paz, onde se
reproduziam os mesmos atos.

       Pouco depois, vagarosamente, saía da Matriz de Santo An-
tão outra procissao conduzindo a imagem da Virgem da Soleda-
de, a caminho da Rua Imperial, onde se daria o "encontro".

        Ao defrontar o nicho situado junto ao atual sobrado n.
161, cujo quadro reproduzia uma das quedas de Jesus sob o pe-
so do madeiro, os homens que conduziam o andor simulavam a
cena: recuavam um pouco e depois avançavam em direção ao
altar, diante do qual os que iam à frente dobravam, bruscamente,
um dos joelhos, como se caíssem, levantando-se logo após. Rea
lizava-se, então, o "encontro" da imagem da Virgem com a do
Bom Jesus, ficando os dois andores parados, um diante do ou-
tro. Um sacerdote dirigia a palavra à multidāo contrita, evocan-
do os sofrimentos do Redentor e concitando todos à penitência.

            Reconstituía-se o préstito, na sua fase final, em direção à
Matriz de Santo Antão, onde se achava o sétimo e último passo,
diante do qual, recitadas as preces e entoados os Cânticos finais,
se encerrava a procissão, recolhendo-se os andores ao templo.

               PROCISSÃO DOS ENFERMOS - Realizava-se das 6 para
as 7 horas da manhā da terça-feira da Semana Santa.

              Na véspera, procurava o vigário informar-se das pessoas
yue, achando-se presas ao leito por doença, não podiam ir à igre-
desejavam cumprir o preceito pascal, e as ouvia em confissão.

            Convocados os fiéis pela Irmandade do Santíssimo Sacra-
mento, Organizava-se o cortejo, indo o sacerdote com as sagradas
especies, Sob o pálio ou a umbela, precedido dos acolitos e dos
dos com círios acesos, enquanto o povo, disposto em duas
dua longas fila, o precediam, entoando hinos eucaristicos.

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     Parava o préstito diante das casas dos enfermos devida-
mente preparados, onde entravam apenas o sacerdote e os acólitos a ministrar a comunhão.
         Atendido o último, voltava a procissão matinal à Matriz,
cantando todos, piedosamente, o "Bendito e louvado seja o Santíssimo Sacramento."
       
PROCISSÃO DO ENTERRO OU DO SENHOR MORTO De
todas a mais concorrida, vindo devotos de todos os recantos da
paróquia, muitos deles descalços, em cumprimento de alguma
promessa, outros trazendo flores para ornar o esquife do Senhobr.

    Realizava-se na tarde da Sexta-Feira Santa, mais conhecida como Sexta-Feira da Paixão.
Antes de sair a procissão, tinha lugar, na Matriz, como-
vente ato, reproduzindo o descimento de Jesus crucificado, da
Cruz, no Calvário.

       No centro do 2.0 plano da nave do altar-mor, erguia-se
grande cruz, sobre a qual se achava pregada a imagem do Se-
nhor, rodeada de palmeiras e velada por um grande véu roxo que
se estendia de alto a baixo e de um a outro lado.

         As 16 horas, descia-se o véu e dois "irmãos" das Almas,
representando Nicodemos e José de Arimatéa, vestidos de alvas,
subiam por uma escadinha por trás da Cruz, desprendiam os bra-
ços, e depois os pés da grande imagem, envolviam-na em fino
lençol de linho branco e a depunham dentro do esquife, coloca-
do no 2.° plano da nave, ornando-a, em seguida, com flores.

          O sacerdote recitava, com o povo, o piedoso exercício da
Via Sacra, após o qual dirigia a pa lavra à multidão comprimida
no templo. Era o chamado "Sermāo das Lágrimas'".
         
          Logo após, formadas as Irmandades, em frente ao templo,
era o esquife conduzido debaixo do pálio, pelas ruas centrais da
cidade e acompanhado por imensa multidão.

Precedia ao esquife o andor de N. S. da Soledade, con-
duzido por senhoras.

            Entre um e outro, postavam-se crianças vestidas de "an-
jos", ou representando as piedosas mulheres e o apóstolo João.

o Evangelista, além das figuras de José de Arimatéa e de Nico
demos, segurando um, uma Cruz alçada com um lençol dobrado
nos braços, e o outro, conduzindo pequena escada.
    
         Ao recolher-se a procissão à Matriz, acotovelava-se o povo
diante do templo horas a fio, em filas, para beijar a imagem do
Senhor e obter uma flor, um ramo de alecrim ou de alguma Ou-
tra planta das que cobriam o esquife, considerando-os sagradas
reliquias.

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Festa de Nossa Senhora do Livramento – Igreja Nossa Senhora do Livramento – hoje, Praça Padre Felix Barreto – registro 1942.


Festa de Nossa Senhora do Livramento –  Igreja Nossa Senhora do Livramento – hoje, Praça Padre Felix Barreto – registro  1942. adição nossa

A freguesia de santo antão no século XIX. irmandade-devocão e procissões .P203

        PROCISSAO DA RESSURREIÇAO Era costume realizá-
la entre as cinco e as seis horas do Domingo da Ressurreição, lo-
go após a missa festiva da madrugada, comemorativa da ressur
reição do Senhor.

         Pequena imagem de Jesus Ressuscitado era conduzida em
andor, pelos fiéis, entoando cânticos festivos, seguindo-se o iti-
nerário das demais procissões.

          A nota característica era a alegria visível no semblante de
todos, contrastando com o ar grave e sombrio das outras procis-
sões quaresmais.
       AS Igrejas, novamente engalanadas como nos dias mais so
lenes; recompostos os altares, antes desnudados; substituida a
Cor violácea pela branca, nos paramentos eclesiásticos, canticos
e preces de louvor e gratidão, tudo externava o jübilo cristäo do
povo diante de Jesus, o Salvador, vencedor da morte e do pecado.

         Ao recolher-se a procissão, era dada a bênção do Santis-
simo Sacramento e saíam os fiéis, exultantes, a desejarem, uns
aos outros, uma Feliz Páscoa.

         FESTA DE SANTO ANTA0 Ao descrever o cenário em
que se desenrolou o combate de 3 de Agosto de 1645, no monte
das Tabocas, conta frei Manuel Calado que, à capelinha de San
to Antao, situada "entre aquelas ásperas montanhas e inhabita-
dos campos", "os moradores de Pernambuco iam, todos os anos,
aos dezessete de janeiro, com os moradores daqueles matos cir
cunvizinhos, a fazer uma festa com missa e pregação", "para que
Ihes defendesse (o santo) seus gados e cavalgaduras dos tigres,
onças suçuaranas, e as roçarias de farinha e legumes, dos por-
cos do mato, os quais, aonde chegam, deixam tudo destrui-
do." (1)
       Vê-se, da informação, que a festa de Santo Antão, antiquls-
sima, era promovida não apenas pelos moradores da localidade,
mas de Pernambuco, atraindo, naturalmente, devotos de toda a
zona da mata pernambucana.
        Essa tradição foi ciosamente mantida através dos anos,
mas, com a evolução dos costumes e progressiva emancipação
das pequenas comunidades em formação, ficou circunscrita à
Freguesia de Santo Antão.
         De geração a geração, na medida em que crescia o povo
em número, em posses e em conheciment0s, foi a festa do Pa-
droeiro se modificando de modo a, no século XIX, ter passado da

(1)-Frei Manuel Calado- 0 Valeroso Lucideno, v. I, p. 17

- Recife, 1942.

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A freguesia de santo antão no século XIX. irmandade-devocão e procissões P 204

simples missa e pregação" do século XVIl a solene comemora-
ção, precedida de novenário, participando os fiéiS das cerimo-
nias liturgicas, na Matriz, e dos animados entretenimentos popu-
lares, no vasto pátio, que a defronta e circunda.

           Dez dias antes, eram as ruas ornadas com folhas de pal-
meira, bandeirinhas multicores e arandelas e arcos, e, no mastro
fincado no centro da praça, em frente à Matriz, se levantava a
"bandeira" do santo, após ser processiona Imente trazida, à nol-
te, da casa do respectivo "Juiz"', ao som de dobrados e marchas
festivas executados pelas bandas de música. Era o inicio da
festa.

           As noites seguintes, confiadas a comissões de senhoras e
de cavalheiros, cada uma a determinada classe de pessoas, que
se esmeravam em apresentar melhor ornamentaçao e ilumina-
çao, mais variados fogos de artifício, e novidades muitas vezes
urdidas com a finalidade de, distraindo o povo, angariar donati-
Vos para cobrir as despesas, corriam animadas, enchendo a Vila
de desusado movimento e intensa alegria.

            Do Recife vinham orquestras completas e cantores espe-
cialmente contratados para executar os números de canto do no-
venário, a Missa solene e o "Te-Deum" do encerramento.

        Engalanava-se a velha Matriz com festões de damasco que
desciam das varandas laterais e do côro até o solo e luminárias
dispostas por sobre os altares enflorados.

          Os pontos mais altos da Festa, no dia 17 de janeiro, eram
a Missa cantada, às 10 horas, com sermão congratu latório, ao
Evangelho, por orador sacro de nomeada, e a grande procissão,
às 17 horas, conduzindo os andores de N. S. das Vitórias, à fren-
te, os de São Sebastião e de Santo Antão, pelas Irmandades da
paróquia, separados, a breves intervalos, pelas Bandas musicais,
que se revezavam na execuçao de peças escolhidas dos seus re-
pertórios.
         Recolhida a procissão, era entoado solene "Te-Deum" em
ação de graças, encerrando a parte litúrgica da festa.

         Continuava, no påtio, o festejo popu lar, com a arremata-
ção de prendas oferecidas por devotos ao santo padroeiro, bar-
raquinhas, quiosques, retreta, e o vaivém contínuo dos felizes
e prazenteiros convivas, a expandir sua alegria em naturais de-
vaneios, próprios da nossa gente, nascida e criada dentro dessa
mística religiosa e profana, que fazia as suas delícias.

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A freguesia de santo antão no século XIX. irmandade-devocão e procissões P 205


     As quatro horas do dia 18 de janeiro, era celebrada missa
por todos os que haviam contribuído para as homenagens ao
santo padroeiro, após o que, era arriada a "bandeira" do mastro
e processionalmente conduzida à residência do "Juiz" eleito pa-
ra promover a festa no ano seguinte.

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história de vitória de santo antâo PAGINA Em contrução p 206


Em contrução p 206

XXIV SINTESE GERAL A CIDADE DA VITORIA. p207

        Com os parcos subsidios colhidos em fontes escassas, pro
curamos reconstituir a historia da Vitoria de Santo Antão, (aldeia,
povoaçao, freguesia, municipio, Comarca), desde o inicio do po
voamento, em 1626, ate a elevaçao da Vila à categoria de Cidade,
em 1843, periodo este que consideramos de formação.
                Efetivamente, só a partir da segunda metade do século
XIX, já em pleno reinado de Dom Pedro II, quando, passada a fa-
se de inquietaçao e crises e detinidos, Com a formação dos par
tidos Liberal e Conservador, os rumos da politica nacional, se
conseguiu estabelecer a ordem administrativa no pals, em cada
provincia, tiveram os municipios brasileiros condições de, con
cientizando deveres e direitos, ir equacionando e resolvendo os
problemas locais.
          Da aldeia do Braga surgiu a povoação de Santo Antão da
Mata, trocando-se o nome do colono iniciador pelo do padroeiro,
cuja devoção era, então, fervorosa e arraigada entre os habitan-
tes da mata pernambucana.
            Em fins do século XVIl ou principios do XVIII, a povoação,
inicialmente talvez um simples Curato, tornou-se F reguesia. Era
a autonomia eclesiástica, ou espiritual, passando a pequena co-
munidade a ter o seu pastor proprio e permanente.
               Pertencia a Freguesia de Santo Antão da Mata ao muni-
cipio de Olinda e só em 1815, com a criação da Comarca de Olin-
da, passou a integrar, jà então como municipio autônomo, a Co-
marca do Recife.
                 Em 1812, foi a povoação de Santo Antão elevada a Vila,
constituindo-se municipio autönomo, cujo termo abrangia a fre-
guesia de Santo Antão e a de São José dos Bezerros.

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XXIV.Sintese geral a cidade de Vitória. PAGINA 208

     Em 1833, com a ereção da povoação do Bonito em Vila e
seu conseqüente desmembramento do municipio de Santo Antão,
procurou o Governo provincial compensar a perda desse territó-
rio, anexando ao municipio de Santo Antão a freguesia de N. S.
da Escada.

           Nesse mesmo ano, com a criação da Comarca de Santo
Antão, obteve a comunidade sua autonomia judiciária
       Nos três primeiros decênios de sua existência autônoma,
período de grande agitação politica na província, (1817, 1821,
1824 e 1832), e de profunda transformação na vida nacional, (1822,
1831, 1840), a Vila de Santo Antão, como todas as demais, mal
pode estabelecer as bases de sua própria organização.
        Em 1842, a lei orçamentária da Província, (n.° 108, de 10 de
maio), estabelecia, no artigo 10., a seguinte Despesa para o mu-
nicipio de Santo Antão:

         "Art. 10.°- A Câmara Municipal da Vila de Santo Antão é autorizada para dispender:
"S1. Com os empregados, sendo o ordenado do Se-
cretário elevado a trezentos mil réis; do Porteiro, oiten-
ta mil réis; do Ajudante do Porteiro, cinquenta mil
réis; do Advogado da Câmara, oitenta mil réis; do Fis-
cal da Vila, reduzido a cinquenta mil réis, e do Procu-
rador, os seis por cento, na forma da Lei, calculados
em cento e vinte e cinco mil réis, suprimida a gratifi-
cação de cento e cinquenta mil réis que atualmente
percebe...................................................................685$000

2.0 Com o Cirurgião de partido...............................200$000
"S 3.0 Com o expediente, despesas miúdas...........30$000
"5 4. Com o Tribunal do Jury e eleições..................60$000
"S 5.° Com o fornecimento de luz para a cadeia ....78S000
"S 6.° Com as Custas dos processos judi-
ciais e contravenções de posturas...........................80$000
"S 7. Com obras, consertos e limpeza das ruas.......600$000
"S 8.com despesas eventuais..................................100$000
                                                                                           TOTAL
                                                                                       1$833$000
Já então havia a Câmara de Santo Antão conseguido edificar 
o primeiro prédio público, a Cadeia, em cujo primeiro an
dar se realizavam as audiências dos Julzes e as sessões do Tr-
bunal do Júri.

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Desenho de Luis Schlappriz

                              S. Antão cidade de Victoria. (na Provincia de Pernambuco)
1863-1865
DESENHISTA
Luis Schlappriz


 

Denominação de cidade de vitória pagina 209 e 210

Empório comercial do gado, de cereais, legumes, verduras
frutas, na Mata-centro, a vila de Santo Antão crescera bastante 
tornando-se uma dasS mais prosperas e importantes da provincia.     

      CIDADE DA VITÓRIA- Governando a província o Barão da Boa Vista, 
apresentou o deputado Dr. Felipe Lopes Neto Júnior, em abril de 1843, 
um projeto, que tomou o n. 7, elevando aVila de Santo Antão à categoria 
de "Cidade". Foi aprovado em 3a. discussão, em 28 daquele mes, com a emenda "com a denominação 
de Cidade da Vitória, em comemoração da batalha ganhada pelos pernambucanos, nas suas imediações, 
sobre as forças holandesas. "

          A 6 de maio de 1843, sancionava o Presidente da provincia a Lei n. 113, assim redigida:
Lei n.° 113- Eleva à categoria de Cidade denomina-
da da Vitória, a vila de Santo Antão. "O Barão da Boa Vista, presidente da Provincia de
Pernambuco. "Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a
lei seguinte:"Artigo único-Fica elevada à categoria de cidade a
vila de Santo Antão, com a denominação de Cidade da Vitória, em comemoração da batalha ganha pelos per
nambucanos nas suas imediações sobre as forças holandesas. "Ficam derrogadas todas as Leis e disposições em
contrário.
"Mando, portanto, a todas as Autoridades, a quem o Conhecimento e execução da referida Lei pertencer,
que a cumpram e façam Cumprir tão inteiramente como nela se contém. "O secretário desta Provincia a faça 
imprimir, publicar e correr.

"Cidade do Recife de Pernambuco, em seis de malo
de mil oitocentos e quarenta e três, vigésimo segundo
da Independência do Império. Barão da Boa Vista.
Selada e publicada nesta Secretaria da Provincia de
Pernambuco, em 8 de maio de 1843. Casimiro de Se
na Madureira. Registrada a fls. 189 do 1. Livro do
Registro de leis provinciais. Secretaria da Provincia dee
Pernambuco, em 18 de maio de 1843. Antonina Jose de Miranda Falcão." 209

     A denominação de Cidade da Vitória permanece
Em 1.° de janeiro de 1840, em virtude da proibicão ate 1939
na toponímia geografica brasileira, foi o nome da cidade acresido
 do de Santo Antao, passando a ser VITÓRIA DE SANTO ANTAO, 
para diversificá-lo do da Vitoria, capital do Estado
Espírito Santo.

    Este o termo da primeira etapa desta jornada que pretan
demos concluir, com a graça divina, e publicar, com o favor doc
homens de boa vontade, como homenagem filial à terra que
serviu de berço. 210



p182

           "Sim, Exmo. Snr., se o Magistrado policiador e reto             deve ser removido, então infeliz do Brasil, que de cer-     ...