A freguesia de santo antão no século XIX. irmandade-devocão e procissões. P199

boatão)- celebrar missa, batizar, confessar e abonçoar casa
mentos.
          Deve ter crescido, assim, a população, apenas conservan
do os rudimentos puros e simples da fé cristă hauridos de seus
pais, suficientes para manté-la íntegra e constante.
          A criação da Freguesia (ou do Curato), consegüência na
tural do crescimento demográfico e dos apelos da pequena Co
munidade, modificou sensivelmente a situação dos antonenses,
ensejando-lhes a direção espiritual de um pastor que passou a
cuidar da formação religiosa, pregando e ensinando, e ministran-
do os meios de santificaçãoe salvaçăão.
          As devoções coletivas eram as arraigadas no seio do cato-
licismo portuguės: a de Santo Antão, o padroeiro, Cujo patrocl-
nio era invocado contra as feras e animais daninhos da regláo;
a de São Sebastião, protetor da saúde, cuja imagem era condu-
zida em procissões de penitência por ocasião das epidemias gue
periodicamente grassavam no vale do Tapacurá; a de Santa Lu-
zia, cujo valimento era invocado nas doenças de olhos; a da Vir-
gem Maria, venerada sob as invocações da Conceição, do Rosá-
rio, da Luz, do Amparo, da Soledade, da Apresentação, do Bom
Parto, do Livramento, da Assunção, etc.; a do próprio Cristo Sal-
vador e Nosso Senhor, mais lembrado na comemoração de sua
Paixão, Morte e Ressurreição e do seu nascimento e circuncisão,
na Semana Santa, pelo Natal e na entrada do Ano Novo.
        As festas propriamente religiosas cingiam-se a duas: a de

Santo Antão, a 17 de janeiro, e a de Nossa Senhora do Rosário,
no 3.° domingo de outubro. Só mais tarde se começou a celebrar
regularmente a de N. S. do Livramento.
Nas vésperas dos dias consagrados a Santo Antonio, São
João e São Pedro, ao Natal e Ano Novo, celebravam-se comemo
rações mais festivas e populares, folguedos publicos, que festas
litúrgicas.
              Era o catolicismo tradicional, sentimental, exterior, alimen-
tadomantido por crenças e crendices que se vinham transmi-
tindo de geração a geraçao, conservando, porém, noções das ver
dades e dos preceitos fundamentais da fé cristā, muitas vezes
deturpados pela ignorancia religiosa e pelo influxo de supersti
ções africanas e aborigenes, hoje ainda tão atuantes no sincre-
tismo religioso brasileiro.
          PROCISSÖES Era através das procissões que o culto
assumia maior expressão e movimento em sua exteriorização, so
bretudo na Semana Santa. Destacamos as principais:
            PROCISSA0 DO ENCERRO Assim chamada porque a
imagem do Bom Jesus dos Passos era encerrada ou encoberta

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           "Sim, Exmo. Snr., se o Magistrado policiador e reto             deve ser removido, então infeliz do Brasil, que de cer-     ...